Estou com saudade agora, daquelas que brotam uma lágrima bem no meio do sorriso, no fim da tarde, quando o nosso som me surpreende no elevador. Mas nós não nos amamos, somos apenas dois versos cínicos que desenham o contorno de um sonho de padaria, só pra fingir que o que a gente tem é algo bom.
Outro dia eu escutei AMPLIDÃO e descobri que você não me desperta o que o Chico e a Elba cantam. Como em todas as outras paixões eu quero que você seja meu refúgio, que me conte piadas, que ache linda a minha carência, que entenda minhas drásticas mudanças de humor quando eu estou com sono, que ame meu cachorro tanto quanto eu, que me traga Ovomaltine batido com canela e goste de me ouvir falar sem parar logo cedo porque isso faz parte de mim. Eu quero que você seja capaz de tudo isso, não quero ter que ter nada a te oferecer e quero que você seja, faça, pense, resolva tudo por mim e não o contrário!
A gente nunca está de bom humor ao mesmo tempo, mas seu sorriso reluz no meu peito e quase me faz sorrir toda vez. Eu sei que só te mantenho porque amo o nosso clima tenso e nossas alfinetadas discretas, fingindo que nada aconteceu. Amo quando você se gaba ou diz algo de que não é capaz e me olha de lado, buscando minha aprovação e meu silêncio. E eu amo desafiar você como a um inimigo, porque eu espero vencer e te fazer meu escravo, pra aprisionar na minha retina o teu sorriso e te ter a qualquer momento nos infinitos meses em que ainda durar teu gosto na minha boca. Eu não te amo, mas por você aceito parecer brega e burra, escrevendo essas palavras nada sutis e me entregando a um sentimento desde o início condenado.
|
|
||||
|
||||
![]() | ||||
|
||||